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tro, para reformar a idolairia dos Chaldeos, e dos Persas , lhe substituio um systema absurdo , multiplicou até o infinito as praticas minuciosas , estabeleceo o culto do Sol, inundou de sangue a Persia, e as índias, para arraigar o que elle chamava — arvore da sua lei. Tanto os Philozofos , como os Legisladores Gregos , jamais se atreveram a tocar nas fabulas , e superstiçoens antigas neste paiz , consagraram' com seo exemplo todos os erros populares relativos ao culto , e se oecuparam mais de suas disputas , que da reforma dos erros, e correcçaõ dos costumes.

Mahomet, homem voluptuoso e perfido , lizongeou as paixoens dos Arabes , para conseguir n reunião da autoridade religiosa, e do poder politico em sua tribu. Toda a sabedoria destes homens celebres consistio na destreza de fazer servir a scos designios ambiciosos os prejuisos, os erros, os vicios dominantes de seo paiz, a' de seo seculo. A maior parte somente subjugaram naçoens ignorantes, e barbaras. Jesus Christo fundou o Christianismo no meio da Filosofia dos Gregos, e da civilisaçaõ Romana: jnmais poupou o vicio , nem fomentou erros^despresou as riquezas , e recusou as dignidades.

Jesns Christo portanto não foi um fanatico, nem um impostor, foi verdadeiro Filho de Deos , sua doutrina he verdadeira, e a Religiaõ Christan por elle fundada, he a unica verdadeira Religião.

Concluiremos este capitulo com o magnifico testemunho do celebre Rousseau , acerca da dU vindade de Jesus diristo , e do seo Evangelho. "Eu vos confesso, diz elle, que a magestade ,, das Escripturas me assombra, e que falia ao „ meo coraçaõ a santidade do Evangelho. Vede „ os livros dos Philosofos com toda a sua pom, , pa: e quão pequenos á vista deste! He crivei, ,, que seja obra dos homens, um livro tão sim„ pies, e tão sublime ao mesmo tempo? He ,, crivei, que seja puramente homem aquelle, ,, de quem se escreve a historia? He este o ,, tom de um Enthusiasta, ou de um sectario ,, ambicioso? Que doçura, e que pureza nos „ seos costumes! Que graça tocante nas suas „ instrucçoens! Que elevaçao nas suas maxi„ mas! Que profunda sabedoria nos seos dis-, , cursos i Que presença de espirito , que des„ treza, e exactidão nas suas respostas! Que if imperio sobre as suas paixoens! Onde está o , , homem, onde está o sabio , que sabe obrar , ,, soffrer, e morrer sem fraqueza , e sem os* ,, tentaçaõ? Quando descreve Platão o seo justo „ imaginario, cuberto de todo o opprobrio do ,, crime, e digno de todos os premios da vir„ tude , pinta a Jesus Christo feiçaõ por feição: , , a semelhança dá tanto nos olhos, que todos , , os Padres a perceberam, e não he possivel , , haver engano. Que prejuiso, e cegueira não he necessaria para comparar o filho de Sofronisco, com o filho de Maria? Que distancia de um a outro? Socrates morrendo sem dór, e sem ignominia sustenta facilmente até o fim o papel de Heróe; e se esta morte facil não tivesse honrado a sua vida, duvidar-se-hia , se Socrates , com todo o seo espirito , era outra alguma cousa, do que um Sofista: inventou a moral: antes delle, outros a tinham posto cm pratica; não fez mais que dizer o que os outros tinham feito, e reduzir á lições os soas exemplos. Aristides tinha sido justo , antes que Socrates dissesse o que era justiça. Leonidas tinha morrido em defeza do seo paiz, antes que Socrates, fizesse um dever do amor da patria. Esparta era sobria , antes do Socrates ter louvado a sobriedade; antes que elle tivesse definido a virtude, abundava a Grecia em homens virtuosos. Mas entre os seos , onde acharia Jesus esta moral elevada, e pura , de que elle só deo liçoens, e exemplo? do seio do mais furioso fanatismo , se fez ouvir a mais alta sabedoria; e a simplicidade das mais heroicas virtudes honrou o mais vil de todos os povos. A morte de Socrates , pliilosofando com soos amigos tranquillumcnte, ha a mais doce, que se póde apetecer; a de Jesus, expirando em tormentos, injuriado, motejado, c amaldiçoado por* V, todo um povo, he a mais horrivel, que so , , pode temer. Socrates pegando no copo enve,, nenado , abençoa aquelle, que lho apresenta , , , e que chora; Jesus no meio de um horroroso ,, supplicio, ora pelos seos mesmos carniceiros ,, algozes. Sim, se a vida, e a morte de So„ crates são verdadeiramente de um sabio; a ,, vida , e a morte de Jesus são verdadeiramente „ de um Deos. „ (Emil. tom. 1. p. 165.)

CAPITULO 8°

Religião Christan provada pela ligaçaõ,

que se verifica entre as Ires épocas

da Revelação*

50. O Deos de Adão, dos Patriarchas , e

<òe Moysés he o mesmo, que o Deos dos Chris

tãos: Moysés nada derrogou do dogma, ou da

moral revelada aos Patriarchas: Jesus Christo

conservou os mesmos dogmas , e moral de Moy

zés , e dos Patriarchas , deo-nos porém liçocns

mais claras , leis mais perfeitas, promessas mais

vantajosas , uma esperança mais firme, motivos

do amor de Deos. mais tocantes, graças mais

abundantes, meios de nossa santificaçaõ mais

faceis, e copiosos A Religião portanto nestas

trcs epocas não differe essencialmente. Os Chris

tãos crem no Redempíor, que já veio; os Patriarchas, e os Judeos criam rio Redemptor, que havia de vir. Esta fé era a mesma , igualmente firmada pela certeza das promessas de Deos, ou pela certeza do seo cumprimento. O plano da Religião he um, e começado na creaçaõ. Não póde considerar-se o Christianismo, como só, e sem relaçaõ ao genero humano nas suas diversas circunstancias: as tres revelações são cor* relatas , de sorte que não póde conceber-se uma sem suppór as outras, e estão essencialmente ligados entre si. Deos fez marchar a obra da Religião com o mesmo passo, que a da natureza: os homens de hoje são essencialmente os mesmos, que os dos primeiros seculos do mundo; mas a povoaçaõ, a civilisaçaó, as artes, e as sciencias tem subido progressivamente o genero humano , até o ponto de perfeiçaõ, em que hoje o conhecemos: da mesma sorte a Revelação dada aos primeiros homens no principio do mundo, era destinada a fundar a sociedade natural, e domestica, convinha a familias nascentes, e que não podiam ainda formar povoaçoens consideráveis , era acommodada ao estado de cultura da razão do homem recem-formado: a segunda, de que Moysés foi orgão, dirigia-se evidentemente a estabelecer entre os descendentes de Abrahão uma sociedade nacional, e a fundar sobre uma mesma base a Religião, e as leis; legislação notável, que Deos colloceu de propósito no cea

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