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tá sugeita aos mesmos inconvenientes, que a reJigiio revelada; que deve fazer naseer disputas, seitas, divisies, e a intolerancia; e que deve necessariamente degenerar. Os Deistas nem ao menos ousaram emprehender provar o contra. rio. São infinitos os mysterios, que o Deista coherente com seos principios se vê na neces. sidade de admittir, fazendo profissão de não ad. mittir nepbuin : e ou deve retrogradar em seos principios e ser Christão, ou seguir suas consequencias, e ser Atheo, e Materialista. Poréin nenhum Materialista apresenta provas directas do sco systema; nada mais fazem do que objectar difficuldades contra a hypothese da espiritualidade: não se concebe, dizem, a natureia de um ser espiritual, nemi suas operações; 11cm como púde ser encerrado n’un corpo, e imprimir lhe o movimento: mas conceber-se ha melhor uma materia et crna, necessaria , increada, e ao mesmo tempo limitada , e cujos attributos nem são eternos, nem necessarios, porque são mudaveis ? um ser paramente passivo, indifferente para o movimento, e para o descango, e que he, não obstante, o principio do movimento ? um ser composto, e divisivel, e que ho ao mesmo tempo o sugeito de modificacoes indivisiveis ? todo o homem pensador, a não recuar á vista de contradiccoens tao palpaveis, cáe n'uma duvida geral; vendo-se picado por

todos os lados dos absurdos, que se geram dos principios, que uma vez adinitlio, e capricha de sustentar, quer antes jazer n'um Pyrrhonis. mo infaine, que desdize.los; este he o derradeiro precipicio do erro em materia de Religião. Comeca-se por regeitar a auiboridade da Igreja negando tal dogma : refusada eşia , fica igualmente menoscabada a tradiccão, em que ella şe funda, e a Escriptura , entendida segundo o gráo de capacidade de cada uin, he a unica regra de fé; mas engeitando o testemunho da Igreja em materia de dogmas, deve tambem recusar-se em materia de factos; porque uma tesie. munha he taó digna de fé, quando depoem, a que vio, como quando attesta, o que ouvio. Se a authoridade dos Padres da Igreja não vale para os dogmas, tambem não vale para os factos : alguns delles foram discipulos iminediatos dos Apostodus; se elles foram capazes de mudar a doutrina, que lhes tinha sido confiada, e á qual os Apostolus linha prchibido tirar, ou acrescentar cousa alguma, porque l'asao nao poderemos suspeitar isto mesmo dos Apostolos? e sendo isto assim, quem he, que nos póde certificar da autenticidade dos livros sagrados. que certeza nos podem causar testemunhas, de cuja intelligencia , critica, e boa fé nos tein feito suspeitar ? por outro lado, una vez que a rasao fica sendo arbitra do que deve crir-se na

Escriptura, como a rasao nao comprehende mysterios, ver se ha obrigaila a regeita los to dis; mas formando estes a base, e corpo da Rerelácío 'no que respeita ao dogma, e á mo. fal, que nelle se estriba, que he o que fica de Revelagio ? pada : só resta o culo, de å rasao deixuda a mesma póde inventar, ou o Doismo : mas o Doista, que não crê em mysTerios não deve conseguintemente crêr ein Deos, nem nos espiritos, e he Atheo', e Materialista : së neste estado reflecte, que tem regeitado a authoridade mais bem fundada, e a evidencia moral' mais decidida negando os milagres, e factos, em que basêa christianismo, não a a. chando maior em facto algunı da historia, cáe no Pyrrhonismo historico: e se adverte "nas codtradicgoens, e absurdos, em que o precipitaram seos principios, cáe no Pyrrhonismo dogmatico. Prouvera a Deos, que nao fossem täo frequentes nestes nossos dias os exemplos desta cadêa fatal de descaminhos! Aquelles, que nao tem litteratura , engolem avidamente a impiedade; mais pela corrapcaó de sua vida, do que pela convicção dos principios, que adoptou; e ao mesmo tempo que recusam a authoridade da Igreja, e de tantos homens conspicuos em todo o genero de sabedoria no decurso de 18 sé. eulos, seguem, sem critica os dictos de meia duzia de falladores sem sciencia, litteratos sü

perficiaes, ou as maximas impostoras de liyrinhos sem peso, e tragam erros, cujas conso: quencins a ignorancia, corrupção, ou esjupidez lhes não deixa suspeitar, e se nạo chegam á ultima degradação do espirito, he porque não sahem pensar. He por outro lado admiravel que homens, que tanto caprichain.de Ppilosophos, cégos pelo amor da vovidade, e outras paixões, não: vejam a inconsequencia de seos raciocinios no que despresam, e no que adınitter, e nao tendo, animo para sordir do abysmo, vergonho$0. de contradiccoens, e absurdos, e duvidas, em que por desyario de sua rasão voluntarios cahiram, taxem de fracos, e estupidos. aquelles, que melhor considerados.trilham seguros, e bem fundados o caminho da rasio, e da verdade! Mas, tornemos ao nosso ponto: quando de um principio se seguem legitimamente consequencias , absurdas, he evidente, que o principio he absurdo : logo, se desviandronos do caininho, que nos fraca a Religião Christia, e da verdade, que ella nos ensina , somos em boa Lo. gica conduzidos ao precipicio de erros sobre er: ros, he certo que esse desvio he erro. Nada prova, melhor a ligação das verdades, que compopin 0. systema da Religião Christãa, e Catholica, do que a enfiada de erros, em que ca. when necessariamente todos aquelles, que se des

vians do principio sobre o qual he fundada esta Religião divina.

CAPITULO 13.9.

Da Tolerancia, e Intolerancia em materia

de Religião

€0. Tento até aqui demonstrado a verdade da Rcligião. Christia, e sendo um dos maio. res escandalos da incredulidade isso, a que ella chama intolerancia do Christianismo, não he fóra do proposito acclarar esie ponto, e fazer vêr aos nossos leitores a sem rasio, coin que se calumnia esta Santa Religiao. Antes porém que resolvamos alguma cousa sobre a maieria deste capitulo, convém fixar a nogão destas palavras Toleranciu, e Intolerancia, que tanto ruido lein feito no mundo, ha mais de um seculo: e que tem dado occasiao ás inais violentas inveciivas. A palavra Tolerancia exprime a idea de condescendencia, ou indulgencia para com alguem. Esta póde ser politica , ou religiosa. A Tolerancia politica, ou civil consiste na permissio, que um Governo concede aos seciarios de uma religiao differenta da dominante no paiz, do exercicio della , de fazer suas assembléas particulares, e de ter Pastores para os governar, regulamentos de policia e disciplina sem incorrer pena alguma: assiin na Franca a Religiaõ dominante he a Catholica

SIAS

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