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00. Tendo até aqui demonstrado a verdade da Religião. Christna , e sendo um dos maiores escandalos da incredulidade isso, a que ella chama intolerancia do Christianistno, nio lie fora do proposito acclarur este ponto, e fazer ver aos nossos leitores a sem rasto, com que se calumnia esta Santa Re'ligiaõ. Antes parêm que resolvamos alguma cousa sobre a materia deste capitulo, convém fixar a noção destas palavras Tolerancia, e Intolerancia, que tanto ruitio tem feito no mundo, ha mais de um seculo: e que tem dado occasiaõ ás maia violentas invectivas. A palavra Tolerancia exprime a idéa de condescendencia , ou indulgencia para com alguem. Esta póde ser politica , ou religiosa. A Tolerancia politica, ou civil consiste na permissio, que um Governo concede «os sectarios de uma roligiaõ differenta da dommante no paiz, do exercicio della, do fazer suas ussembléas particulares, o de ter Pastores; para os governar, regulamentos de policia e disciplina sem incorrer pena alguma: assim na França a Religiaõ dominante he a Catholtca Romana , saõ porém permitiidos todos os cultos , e a lei he igual para todos: nos Paizes Baixos o Calvjuismo he a religião dominante,. e a maior parle da povoaçaõ he Catholica , &c. A Tolerância Ecclesinsiica, Religiosa , ou Theoloqica consiste na profissaõ, que faz uma seita de crer, que os membros de outra seita podem salvar se sem renunciar sua crença, que podem seguramente fraternisar-se com ellcs , o admitti los ás mesmas praticas de religiaõ. Os Calvinistas tem offerecido mais de uma vez a tolerancia theoiogica aos Lutheranos, mas estes naõ a tem aceitado: uns, e outros a tem sempre recusado aos Socinianos, com quem ja* mais quizeram entrar cm communhaõ. Alguns Protestantes moderados concordam em que es Catholicos se podem salvar em sua Religiaõ, outros sustentam o contrario. Os Catholicos cremos , que fora do gremio da Igreja naõ pede haver salvaçaõ; mas não pertendemos por isso sustentar, que naõ haja um boro numero de homens nascidos na heresia , que em rasão de suas poueas luzes estâo n'uma ignorancia invencivel, e s 10 desculpaveis diante de Deos, e podem salvar-se; e como diz M.r. Nicole (Iraité de l'unité de Vblglzie l. 2. c. 3.) ,, Todos aquelles , que n''0 tem partecipado por sua vontade, e com conhecimento de causa no sr-.isma , e heresia, são parte da verdadeira Igreja „ c S. Agos

tmho (l. 4> de Bapf. contia Danai, e 1. ».. 1.^ djz: ,, A Igreja de .Jesus Christo (.(elo poder de seu Esposo pode ter filhos de suas servaafa. so cilles não são soberbos, e arrugant-es, teraõ' parte.na herança, mas ,se se tornam orgulhosos, ficarao de fora, „ ... '. -.,..... .,';, .? >.. ri

, Tambem se costuma chamar ToZ^raítcia ge-,. ralmente a caridade fraternal., e humanidade, que deve reinar entre todos os homens, especialmente entre os Chriistãos de qualquer naçãu :•. ninguem póde duvidar, que esta tolerancia he o mesmo espirito do Christianismo; naó ha Tciit; giaõ no mundo,, que mande tão rigorosamente a paz, a paciencia mutua, a caridade fraterna,, Jesus Christo com as palavras , e com o exemplo, a pregou aos Judeus a respeito dos Sama-. ritanos, e a respeito dos Gentios.: os-Apostolos repetiram as mesmas liçpens;, e os. primeiros Ghristiios as seguiram fielmente. Mas daqui naõ se segue que os Chefes das Sociedades , Eccle— siasticos , ou Seculares devam tolerar , que qualquer a seo gosto perturbe a \u\z ,. e (ranquiili(Jade dos povos, rou corrompa sua;. moral cot».•. pretexto de religiao. Os Principes, e seos lugar tenentes saii obrigados por direito natural a> manter a ordem , a tranquillidade , e subordinação entre os subditos, e reprimir conseguinte-, mente, e castigar aquelles, que debaixo de qual-, quer pretexto os corrompem c descaminham. Q , «ficsmo Jestis Christo, que diz aos seos Apostolos — se não quizerem ouvir vossa doutrina em qualquer cidade, sacudi o põ dos vossos sapatos , e ide para outra — he o que os encar-' rega da vigilancia do rebanho, e lhes manda, que o abriguem dos lobos, e falsos prophetas, qne mantenham a união na fé, que estremem o joio do bom trigo, &c. Assim o praticaram »s Apostolos: não só desmascaravam os falsos Doutores, mas os excluiam da sociedade dos Fieis , e embaraçavam toda a communicação religiosa com elles.

Não pôde conceber se uma sociedade civil sem leis: ja fica demonstrado (21. K) pela rasão, e pela pratica de todos os Legisladores, que a religião he necessaria para fundar, e conservar a sociedade civil, logo a religião deve ser a primeira lei da sociedade: sobre esta base devem fixar-se todas as outras leis. Como pode por tanto um Governo sabio, e justo tolerar os que degmatisam contra a religião estabelecida , sobre que basêam as leis , e a sociedade? foi fundada a Religião Christãa fio universo ha 18 seculos, todas as Potencias Christàas tem firmado sua legislação d'accordo com os principios moraes e dogmaticos desía Religi io. Como podem os Governos Christãos ser indifferentes para os qne com palavras , e escri

jitos a atacam , e desacreditam?

. -• Ainda que o Christianismo naõ fosse a Ubíc ea verdadeira Religião, como está, demonstrado que he, ninguem com tudo póde duvidar, que nenhuma das religioens do universo apresenta uma moral tão pura , taè sublime, e taõ própria a felicitar os povos: he esta uma verT dade confessada por seos mesmos inimigos. U19 Legislador sabio escolheria para fundar a sociedade o Christianismo, por ser a melhor Religiaõ possivel, ainda abstrahindo de sua divindade: mas qualquer que seja a religiaõ, sobre que assentam as leis, ella deve ser pelo menos taõ inviolavel, como as mesmas leis. O Governo naõ pode embaraçar se com o que cada um pensa, mas deve vigiar, regular, e punir o» actos externes, palavras, e obras. Uma cousa lie a liberdade de pensar, outra a de fallar e•screver: naõ devem confundir se estas duas «ousas. Se todo o homem por direito natural tem a liberdade de pensar em matéria de religiaõ, •omo lhe parecer, naõ he assim a respeito de fallar, e escrever: qualquer cidadaõ tem a liberdade de pensar bem, ou mal das leis dose» paiz; que elle interiormente as approve, ou cerisurc a ninguem póde prejudicar; mas se elle declama, escreve, ou obra contra as leislhe de certo digno de castigo; o mesmo deve entenderse a respeito da religiaõ, que he uma lei, ea mais necessaria, e base de todas as leis.. Por

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