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lebranche, Loke, Newton &c. &c. &c. : he pois claro que esta notavel differenca nas sciencias, e Artes, que se observa entre os paizes Christãos e Infieis, procede evidentemente da Religião. Com effeito tendo a Religião Christan illustrado o homem ácerca de Deos, e da Moral, tranquillisando-o sobre estes dous obje. ctos pela evidencia de suas provas; havendo-nos feito conhecer da mesma sorte a natureza do nosso ser, nossa origem, e nosso fim ultimo, e a differença essencial, que ha entre o homem e o bruto; seguro nestes principios o Phílosopho regeitou sem mais averiguação todos os systemas absurdos inventados por seos predecessores sobre a natureza do primeiro Sér, origem do mundo, officios para com Deos, para com nosco, e para coin nossos semelhantes, ou se considerem de per si, ou reunidos em sociedade : desembaraçado assim das incertezas, e duvidas, de que estava anaviado em coizas de tanta monta, sente abrir-se aos olhos de seo intendimento o vasto campo da creação, e a natureza dos sêres, que povoão o universo, scos fins, e relacoens, e usos começaram a chamar ao estudo sua attenção, e ingenho. () universo apresentou desde logo aos olhos de indagador mui diverso aspecto: ja nio era um montão de seres casualmente unidos, e que pela mesma casualidade se podião desmantelar : 0 homem nio era uma victima da fåtalidade, sugeito a um destino inexoravel mas sim um ser livre : a marcha dos corpos celestes, e o mo. vimento da materia estava ligado a leis cons. tantes, e invariaveis, fixadas pela vontade do Creador; o homem podia descancar na exactidio; e certeza dos phenomenos, que ellas produzjão. Nio era um sêr malfazejo, que presidia aos miles do universo, mas um mesmo sêr bom e beneficentissimo providenciava tudo. Es. tas verdades derivadas immediatamente da dontrina simplicissima do Christianismo, que um menino aprende da boca de seo Pai, ou de seo Parrocho, e que acredita firmado na autoridade de Deos, sem necessidade de raciocinio , ao mesmo tempo que derribavão de um golpe sc. goro th torias, filhas da phantasia, e ignorancia dos Philosophos dos primeiros 40 seculos do mundo , fixáram o espirito do Philosopho Christão, e lhe serviram, como de ponto de apoio, para remontar aos mais vastos, e solidos conhecimentos da natureza creada.

Ajunte se a estas luzes a reforma na Moral, e nos costumes : a sensualidade, e voluptuosidade oppoem-se diametralmente ao tra. balho, que exige a sabedoria: o homem verdadeiramente douto no pode ser sensual: são bem sabidos os meios efficazes, que emprega a Religião Chrisian para desviar os homens do

amor desordenado dos sentidos, e voluptuosidade: no homem dest'arte espiritualizado se accende naturalmente o desejo de saber, porque estando livre da escravidao dos sentidos não tem outro prazer igual, daqui vem a diligencia em buscar os meios; e por isso nio ha paiz no mundo, em que se tenháo estabelecido tantas escholas, Collegios, Academias, e Biblio. thecas, como nos paizes Christãos. Desta sor, te a Religião Christan, que parece indifferente para a sabedoria profana, tem promovido, efficasmente os assombrosos progressos de todas as sciencias, e artes. Na devastacao cauzada pelos povos barbaros, que invadiram o imperio Romario, o Clero conservou as sciencias; e os sacerdotes Christaós tem sido em toda a parte os orgãos da Instruccao publica. Ao mesmo tempo que os sectarios de Misfoma degolavao os sabios, e queimavao as bibliothecas, os Padres, e os Monges retirados pelo espirito da Religiaö nos conservavaö alguma coiza do bom antigo, e nos deixavao o precioso fiucto de suas consideraçoens e estudos. Alfiori em seo tratado da Tyrannia calumnia o Christianismo , quando diz, que “ a Religijo Christan em si mesma não he favoravel ao viver livre, nas que ai Religião Catholica se torna quasi incompa

titel com o viver livre. ,, Este fanatico da li·berdade acrescenta, quie" para provar a pilo. xi meira destas proposicoens bastava demons-, ,, trar que a Religião Christan de nenhum moy do induz, nem persuade, nem exhorta.'os > homens e viver livres. „ Ora Alfieri nao aprezenta tal denonstracaö, e certa niente se veria bem embaracado se quizesse desenvolvê-la. Al. fieri falla sem duvida de uma liberdade politi. ca, mas nao define o que he viver livre : esia expressað he moi vaga: deveria fixar primeiro a ideia de legitima liberdade para poder affiripar com prudencia que a Religião Catholica he is. compativel com ella. Ha muito tempo que se abusa do termo liberdarte: os povos, a quem pertendem nossos liberaes esclarecer, andaó illudidos a este respeito. Se por esta liberdade, tao celebrada por Alfieri e por outros nestes nossos tempos, se intenile a imitacão ou regemercüo da liberdade primitiva do homem, es.. ta liberdade he taó chimerica, como o seo prototypo. Nossos politicos incredulos, que nao querein Deos, nein lei divina, affirnaó que o homem he livre por natureza, izcnto de toda a lei, senhor absoluto de si mesmo, e de suas accoens; que sua liberdade não pode ser co. (ur ctada, senäo quando nisso consente para seo bem, que a sociedade civil he fundada sobre. um contralo, pelo qual o homem se submete és leis e ao Soberano, afin de ser delle pro. tegido, que quando conhece que he mal go vernado pode romper os lacos, com que se tinha ligado, e entrar de novo na independencia : mas tudo isto he pura imaginação , he phantasia, e libertinagem : tal liberdade jamais existio. Sappor que antes de toda a convenção o homem nada deve a outro homem he um erro: o homem deve sempre a outro a humo. nidade, e esta consiste em deveres reciprocos: para pensar o contrario he preciso suppor que o genero humano nascen ao accaso, sem que algum sêr intelligente e sabio presidisse a sea nascimento; o que he Atheismo puro.

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Se nio ha lei anterior, que obrigue o homem à sustentar sua palavra, e executar o que tem prometido, um contracto livre, ou convengão reciproca nio pode impor obrigação aos contrahentes : tal convenção subsistirá somente em quanto durar a vontade, e cada um terá o direito de manter a convenção ou de a romper quando lhe aprouver : o pacto social assim corcebido he um absurdo.

Todos concordão que o homem he destinado a viver em sociedade coin seos semelhantes, que reduzido a uma solidão absoluta seria o mais desgracado de todos os animaes. Ninguem jamais se persuadio da theoria contraria de alguns modernos, porque o sentimento interior mais forte que todos os sophismas, basta para fazer es. queeer todos os scos paradoxos. Ho contradice

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