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ós A postolos de pregar o Evangelho , dissethes : accipietis virtutem supervenientis Spiritus Sancti in vos , et eritis. mihi teste in Jerusalem , et in omni Judæa, et Samaria , et usque ad ultimum terrae : " recebereis a virtude do Es», pirito Santo, que virá sobre vós, e sereis ,, testemunhas de minha doutrina, e divindade, 'a, e milagres, que obrei para confirma-la, ern ,, toda a Judéia , e Samaria, e até os confins », da terra. „, ( Act. c. 1. v. 8. ). Ja d’antes ois tinha advertido de que “ serião aborrecidos por s, todas as nacoens , atribulados; e mortos pelo „, seo nome: , tunc tradent vos in tribulationem, et occidente vos : et eritis odio omnibus gentibus propter nomen meum : (S. Math. c. 24. v. 9.): enoutra occasião lhes tinha dito: “ Nao temais de quem só pode tirar a vi,, da do corpo, mas não pode inatar a alma : ,, temei antes daquelle, que pode perder o cor,, po, e alma.... todo aquelle, que me confes,, sar perante os homens, eu o confessarei dian, le de meo Pai : e o que me negar na pre„ zenga dos homens, eu o negarei na prezen: „ ga de meo Pai. „ (S. Math. c. 10. v. 28. 32. &c.) Daqui conclujo Tertulliano, que a fé Chris

uma obrigação para o martyrio fidena Martyrii debitricem.

Com effeito. O sangue Christão foi derramado profusamente em todo o mundo, especialmente nos tres primeiros seculos, e principios do quarto, de sorte, que, não he possivel fi. xar o numero das victimas da verdade desta Santa Religião desde o seo estabelecimento até o nosso seculo. Podemos fazer alguma idéa aproximada do numero dos Martyres dos, cinco primeiros seculos pelos testemunhos, que nos provam a prodigiosa multiplicação dos Christãos, a crueldade furiosa dos perseguidores, a duração, e generalidade das perseguicoens. Sabemos pelos Actos dos Apostolos, ou pelos es. criptos dos mais antigos Padres, que S. Pedro, S. Paulo, S. Thiago maior, e S. Thiago menor, S. Estevão, e S. Simeão foram martyrizados no priineiro seculo. S. Clemente Romano depois de ter fall:ido da morte de S. Pedro, e S. Paulo, diz: “ Estes homens divinos fo„, ram seguidos por uma multidão de escolhi», dos, que sofreram os ultrages, e os tormen. os tos para nos dar exemplo. ,, ( Epist. 1. n. 6.) S. Polycarpo na sua carta aos Philipenses lhes propoem o exemplo dos Santos Ignacio, Zozimo, o Rufo, de S. Paulo, e dos outros Apostolos, os quaes“ todos, diz, estão no „ Senhor, com o qual padeceräo : „ Clemente Alexandrino ( Strom. I. 4. c. 5.) affirma que os Apostolos morreran, como Jesus Christo, pelas Igrejas, que fundáram. Donde concluimos

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indubitavelmente, que todos os Apostolos forain martyrizados : S. João Evangelista nio expirou nos tormentos, mas foi necessario um inilagre para o conservar illeso. . .,' . .. : P. Tacito ( Annal.: I. 15. .C: 44..) conta que " Nero fez morrer com supplicios , exquisitos ,, homens... chamados Christãos. Sua supersti „ ção, diz, ja d’antes abafuda ,, rebentava de ,, novo. Puniio primeiro os que confessavam ser m's Christáos, e por sua confissio se descobrio ,, uma grande multidio, que foram menos cones vencidos de ter incendiado Roma, que de ser

, aborrecido do genero humano. 'sj Daqui se vê que já no tempo de: Claudio, antecessor de Nero, os Christãos tinhio sido perseguidos, e bannidos por um edicto em Roma , o que não obstante se multiplicavão cada dia prodigiosamente. Noro governou 14 annos , he indubitavel que um imperador tão desordenado, e cruel sacrificaria um sem : numero de victimas ao seu furor; Tacito não somente diz , que: os Chris.. tãos eram perseguidos em Roma, porém claramente dá a intender, que os. inaltratavam por "toda a parte, pois os caracteriza , como classe detestada pelo genero humano :: acrescenta que era multidio ingente, ( ingens multitudo.). No segundo seculo a carta ja mencionada de Plinio á Trajano mostra evidentemente o grande numero de Christãos martyrizados na Bythinia

em tempo deste imperador, que, apezar da proposta de Plinio, mandou , que se continuassem a punir, os que fossem accusados, e convencidos de professar esta Religião; e he bem sabido que esta carniceria tinha lugar em todo o imperio, e que por toda a parte os Christáos eram denunciados, e na prezenca dos juizes confessavão francamente a Jesus Christo. ; Sabe-se que os Christãos de Sinyrna sc excitavao mutuamente ao martyrio, a exemplo de sto Bispo' S. Polycarpo, e elle mesino lhes tinha dado estas ligoens, o que nin seria necessario, se soinente houvessern sido inortos pela fé alguns poucos Christãos, e não corressem o mesmo risco, todos os outros. : A Chronica dos Samaritanos conta que Adriano, successor de Trajano, foz morrer no Egypto om grande numero de Christios. Celso, que eserevia , imperanilo Marco Aurelio, nos diz, que à perseguição durava ainda no imperio deste. Um Chronologista Judeo a confirma, e falla da mesma sorte do irreperio de Cominodo.

A perseguiçao e carnagem dos Christãos continuou no imperio dos Antoninos, como se vê das queixas, que por esse respeito diriguin aos imperadores os nossos Apologistas Justino, e Athenagoras : este se exprime desta sorte : Nós vos supplicamos, que nao permitais , que ry impostores nos tirem a vida. Depois de nos „, terem despojado de nossos hens", aos quaes de og boa vontade renunciamos, querem ainda mal,, tratar os nossos corpos, e dar-nos - a morte ,, &c. , ( Legatio pro Christianis n. 1.) : Desde o anno 193 até 249 jamais deixárão de ser perseguidos os Christäos em todo e imperio Romano, qualquer que fosse o caracter dos imperantos. No imperio de Severo contãose desenove mil e sete centos Christaos, que padecerað mariyrio na Cidade de Leao com S. Irenêó sco Bispo. No imperio de Maxiiniano, cujo edicto contra os Christaós atraz citámos, escreveo Origenes a sua exhortação ao martys rio, que nao teria lugar, se a Igreja estivesse em paz, ou só se incommodasse um , '01outro Christaö, e nao corresse perigo de exterminio todo o corpo dos Fieis. A perseguicao de Deeio em 249 fui cruelissima; Eusebio ( Hist. Eccl. 1. 6. c. 39. &c.) traca a sua historia sobre o depoimento de testemunhas oculares : conta , que grande parte dos Christãos do Egypto fugiram para a Arabia, outros biscáram salvar-se nos desertos, e abi morrerain de miseria; muitos foram condemnados á morte pelos juizes, e um grande numero foram cspedagados pelos Pagãos furiosos, &c., e semelhantemente aconteceo nas outras provincias do imperio : nenhum dos edictos de Decio contra os Christäos foi revogado pelos seos Successores.

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