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queria forçar ninguem. ( Euseb. vida de Cons. tant. l. 2. c. 56, e 60 ).

Jamais foi morto, ou castigado com penas afflictivas Pagio algum por motivo de religiao; e no imperio de Theodosio Junior, em 423 achamos uma lei', que prohibe perseguir os Judeos, e os Pagaos, uma vez que vivessem pacificos, e submetidos ás leis. ( Cod. Theod. tom. 6. p. 295., . Concluimos por tanto com Theodoreto que o poder dos Imperadores nada contribuio á propagação do Christianismo.

Os Apostolos e Discipulos de Jesus Chrito nada tinhaó em si, que podesse autorizar hun .manamente sua pregação : pobres, de baixa condigio", illiteratos expunhio sua loutrina despida dos enfeites da eloquencia profana: nio proinetião à seos sequazes riquezas, delicias, ou honras; mas com as palavras, e com os exemplus lhes persnadiaó o desprezo das coizas die inundo, a paciencia nos trabalhos, e persegui. coens, a tolerancia dos su plicios, e da mor, te: uma felicidade, que só podia gozar-se ierininando o curso da vida prezente, era o premio, que propunhao á pratica das mais auste. ras virtudes.

He indubitavel que a doutrina mysteriosa da Rcligiao Christan propondo verdades incomprehensiveis, subjuga a razão á autoridade divina, e sopêa o orgulho dos sabios; e a dautrina pratica da mesina Religião se oppoe dia metralmente aos affectos, e paixoens desordenadas do homern. A humildade, o amor dos inimigos, a' penitencia não só são virtudes recoinmendadas, mas um dever. A polygamia, e o divorcio forao proscritos pelo Cristianisnio : n'uma palavra , nada ha nesta Religião, que possa lisongear a ambição, a cobiga, ou orgulho de homçı : a vantagem, que de sua profissão podiáo tirar seos proselytos, erão os tormentos, e a norte. Homens carnaes, libidinosos, e habituados a satisfazer todas as paixoens, que viáo consagradas no exemplo de suas Divindades nao podiaŭ encontrar-se atractivo n'uma Religiao tao severa. S. Paulo dizia aos Corinthios 1. c. 1. .v. 23. “ Nós vos pregamos Jesus Christo cru,,cificado, que he um scandalo para os Ju,, deos, e uma estulticia para os Gentios. ;;

: Os povos, a quem entao foi annunciada a Religiao, ou erao Judeos, ou Idolatras; uns inchados pela sua sabedoria, ou dignidades, outros rudes, e idiotas : para os Judeos era difficultosissiino deixar seos ritos, ceremonias , e sacrificios, e despir as idéas de grandeza , poder, e dominio temporal, que haviam ligado á pessoa do Messias, e adorar como Messias, e como Deos , uin homem crucificado pelas quei. xas, e accusagoens, e pelos clamores de seos mesmos compatriotas : a idolatria tinha lanca

do raizes vigorezas nos coraçocas dos Pagãos : a antiguidade, o costume dos antepassados, oesplendor do imperio Romano, o exemplo do quasi todo o orbe tinha, para assim dizer, consagrado csta abominaca. Era a voz de todos, tendo á sua testa o Sophista Libanio, “ que se ,, devia conservar a crenga de tantos seculos , ..), e seguir exemplo de seos pais, que tinhao

n; felizmente imitado o de seos avoz. ,, . Alem disto a idolatria 'era uma religiao gra

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A Religiaó Christan nao podia conseguintemente tirar partido algum da disposigao dos povos, encontrava aliaz por toda a parte obstaculos invencíveis. . .. Mas : 05 Judeos e Pagaös aborreciao-se, e desprezavao se mutuamente, a Religiao Christan fraternizava estes povos convertidos, formando delles um só rebanho, e uma só Igreja: ensinava a olhar os escravos quasi como irmios, ensinava os Princepes a respeitar os di. reitos da humanidade. Era necessario reformar todas as leis, e usos, que offendiau ostes direitos sagrados, mudar as isléas, os costuines, og · habitos, as pertencoens de todos os estados, refundir, para assim dizer, o caracter de todos es povos. He facil de conceber se como todas as Nacoens de diversos clienas, e linguas ; Egypcios, Arabes, Persas, Scythas, Gregos e Ro.

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manos, Hespanhoes e Africanos, ou vives sena entre os gelus do Norte, ou debaixo da Zona torrida, ou nos climas temperados da Europa , e Asia , barbaros ou cultos tenhao sido idolatras; porque todos estes povos adoravao Deozes proprios, cada un tinha sua mythologia,

ritos e praticas religiozas accomodadas a see · genio, e analogas a seos costumes; mas he dif

ficil de conceber como povos lao apartados e de tao diversas condicoens poderam tão rápidamente abraçar o Christianismo, Religião, que lhes não deixava liberdade para a crença, a todos prescrevia uma mesma moral, um mesmo dogma, um mesmo Deos, e uma mesına forma de cul10 `externo, e reunia todos n'uma só Igreja , e os sugeitava á obediencia de um só Pastor, o Bispo de Roma. Celso no principio do segundo seculo olhava como loucura o projecto de dar uma crença, e as mesmas leis aos povos das tres partes do mundo então conhecido; esta empreza porén foi bem depressa realizada pelo Christianismo.

He pois evidente que a rapida 'propagação desta Religião nio he devida, nem á protecção dos Imperadores, e Magistrados, que pelo contrario a perseguirào, barbaramente, nem á natureza de sua doutrina, nem á condição de seos Pregadores, nem á disposição dos povos , a quem foi annunciada, ou a outro algum genero de adjutorio humano : logo fui propagada pela assistencia, e pelo poder divino. Ou a Religião Christan se cstendeo pela força dos inilagres, ou não : no primeiro caso he a verdadeira Religião ( 29. 30. - e 31."); no segundo con. cluimos que a sua propagação nas circumstancias expostas foi um effeito verdadeirainente so. brenatural, contrario ás leis da natureza moral, uin assombroso milagre, e assim fica igualmen. te firmada sua verdade.

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53. Murtyr he palavra Grega, e signifida em Portuguez - testemunha. Esta palavra designa um homem, que tem sofrido supplicios, ou a morte para testeficar a verdade da Religiao, que professa. Da-se porém este nome por excellencia áquelle, que sacrificou sua vida por attestar a verdade dos factos, que são a base do Christianisino. :. Quando nosso Divino Salvador encarregou

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