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kra o Christianismo, epocha notavel por comecar nella a éra chainada dos Murlyres , de que por muito tempo se fez uzo. Esta perseguiçao durou 10 annos : cessou ein 313, quando Cons. tantino, e Licinio ordenaraó por um edicto a tolerancia do Christianisino. A Igreja porem nao logrou uma paz solida , se naó, quando Constantino foi o unico Senhor do imperio, e professou o Christianismo.

Eusebio, Bispo de Cesarea na Palestina, o qual muitas vezes temos citado, e morreo no anno 338, conta na sua Historia Ecclesi. astica l. 3. c. 37, que os primeiros sucessores dos Apostolos, tendo, como elles, o doin dos milagres, faziao assombrosas conversoens , de sorte que se viao muitas vezes convertidos por uma só prégaçao povos inteiros; e no l. 8. c. 1, 11. refere que antes da perseguiçaõ de Diocleciano tinha feito o Christianismo progressos incriveis , que muitos Imperadores haviao confiado a Christaós os cargos, e governo das Provincias, o que haviam permittido a seos Officiaes, a suas mulheres, e a toda a sua caza crer em Jesus Christo, e professar publicamente a Religiao Christan. Depois menciona uma Cidade da Phrigia toda Christan, e onde naö havia um só Pagão, e que foi reduzida á cinzas no tempo da perseguição : e no l. 9. c. 6. conta o discurso, que dirigio ao povo o sacer

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dote Luciano em prezenca dos Juizes, no qual este Santo Martyr toma os mesmos Pagaös por testemunhas de que mais de ametade do mundo, pars pene mundi jam maior, rendia homenagem á verdade do Christianismo; e no mes- mo l. 9. c. 7. e 9. traz o edicto de Maxiınino contra os Christãos em 235, que elle copiou da columna de bronze, onde estava gravado na Cidade de Tyro. Nelle se diz " que este erro , perniciozo, e vão do Christianismo tinha der„ ramado as suas trevas sobre quasi todo o uni,, verso : ,, universum prope dixerim orbem tergarum confusione quadum oppressit : o mesmo Imperador escrevco algum tempo depois aos Governadores das Provincias, que no tempo de Diocleciano, e Maximiano, seos predecessores, quasi todos os homens renunciavao o culto dos · Deoses, e se faziam Chistãos. O Autor da carta a Diogenes, que escreveo no fim do 1. seculo , ou no principio do 2. o, diz que no seo tempo estavão os Christaðs espalhados por todo o mundo.

(0) Autor do Tratado sobre a morte dos Perseguidores conta', que Diocleciano hesitou muito tempo antes de começar a perseguição cruel, que fez aos Christãos: o seo numero o intimidava, e receava, como aconteceo, que a perseguição désse maior estabilidade a esta Religião. Arnobio , . que escrevia no mesmo tem

po nos representa o Christianismo estabelecido ja entre os Allemães, Persas, Scytas , na Asia , na flespanha, e nas Gallias, (b) entre os No. mades, (c) Mouros, (d) e (e) Getulos. (Disput. advers. Gent. l. 1. p. 15.)

Do que temos exposto se vê que no espa

(b) As Gallias comprehendiäo os paizes ao Sudo. este da França - Gallic Aquitanica , a provincia de Leão - Gallia Lugdunensis, os paizes ao norte da França, e parte das 17 provincias Belgicas - Gala hia Belgica, e o sudoeste da Franga - Gallis Nar. bonons's..

· (c) Nomalas - Nouádas The chamavao og Gregos, aos Latinos - Numidas : sao povos errantes da Afri. ea , e delles se chamou Numidia esta parte da Afriea, que forma a Regencia dArgel; em Cirta, sua capital se celebrou um concilio ein 303 , hoje se ahama Constantina. .

(d) Erai os habitantes da Mauritania , regiio, vasta, que se estendia desde a Numidia até ás praias do Oceano Atlantico, tendo ao norte o es: treito de Gibraltar, e o Mediterraneo, e ao Sudoeste o monte Atlante major ( Induacal) e a Gætulia. Hoje faz parte do imperio de Marrocos.

(c) Os Gætulos povos. nomades da Lybia , in. terior. A Africa propriamente dita era o paiz, qiie hoje occupa a Regencia de Tunis : em Carthago sua capital se celebrarai os concilios já mencionados , e outras nos annos SC6, e 308.

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co de 71 annos desde a Ascencao de Jcsus, Chris. to até á morte de S. Joao Evangelista , que faleceo derradeiro de todos os Apostolos em 104, no imperio de Trajano, o Christianismo estava propagado nas tres partes do mundo entao co. nhecido : que continuando os discipulos dos Apostolos a mesma divina missað, esta Religião se vulgarisou de maneira , que, quando Constan. tino Magno ficou só no trono em 323, por tou da a parte se adorava Jesus Christo, e a maio, ria dos povos professava o Christianismo.

Note-se que sendo tantas, e tão apartadas as Igrejas fundadas pelos Apostolos, e discipulos de Jesus Christo, e tendo-se cada um del. les disgregado para os diversos paizes do Uni. perso, em toda a parte annunciárão sempre o mesmo Deos, a mesma doutrina , os mesmos Sacramentos, a mesma união, e obediencia a Pedro, e seos legitimos successores. Era impos. sivel encontrar esta conformidade em qualquer systema de religião inventado pelos homens.

He tambem evidente pelo que temos dito, que Bayle mente despejadamente, ou eru totalmente hospede na historia da Igreja , quando

e atreveo a affirmar, que até Constantino.“mui ,, poucos tinhão abraçado o Christianismo, e ,, estes só da baixa plebe. „ Arnobio já citado põe entre os argumentos da verdade do Christianismo nào só a sua propagação rapida, e mu

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danca, que tinha obrado nos costumes esta Re ligião, mas tambem o ter sido abraçada pelos mais conspicuos ingenhos, Grammaticos , Rhetoricos, Jurisconsultos, Medicos, e Philozophos..

Até Constantino a tolerancia' de alguns imperadores nada podia contribuir ao progresso do Christianismo, pois sempre era olhado, como uma Religião proscripta pelas Leis, a qual podiam perseguir impunemente tanto o povo como os Magistrados. Os Rescriptos dos Imperador res, que prohibiram perseguir os Christãos , nio tendo outro algum crime, foram muito mal cum. pridos, porque nossos Apologistas lho representão; os Governadores das Provincias, querendo agradar ao povo, lhe deixavão exercer livre. mente seo furor. Constantino convertido sómente concedeo a tolerancia e exercicio livre do Chris. tianismo; mandou restituir aos Christãos as Igre, jas, e os bens confiscados, deo sua confiança aos Bispos, e concedeo izengoens ao Clero; fez guardar os Domingos, e abolio o supplicio da cruz. Prohibio aos Pagãos as ceremonias ma. gicas destinadas a fazer mal, mas tolerou as com que pertendiaõ fazer bem. Mandou assolar alguns templos Pagaos, em que se conimettiam abominazoens, e deixou subsistir os outros. Nao só nao violentou os Pagaðs a fazer-se Christaos, mas declarou formalınente que nao

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