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debaixo da terra, e no mesmo instante um lago cobrio aquelle <«<lugar, onde depois os Syracusanos annualmente celebram uma <«< festa, que attrahe grande concorrencia de homens e de mu<< lheres. >>>

(6) Dos Cecropidas gemem os altares, etc.-- Cecrope foi o primeiro rei da Attica, chamada Cecropia do seu nome. Dizem que tendo feito um decreto pelo qual concedia aos deoses o dominio das cidades onde quizessem erigir seus altares, appareceram logo em Athenas Neptuno, que fez sahir um mar do seio da terra, ferindo-a com seu tridente, e Minerva, que na presença de Cecrope fez brotar a oliveira. Daqui nasceo entre os dois uma contenda que Jupiter fez terminar, dando aos contendores por juizes doze habitantes dos Ceos. Segundo o parecer destes, fundado nas informações de Cecrope, foi a cidade adjudicada a Minerva. Cecrope desposou Agraule, de quem teve quatro filhos, a saber: Erisichton, Agraule, Herse, e Pandroseo. A estes, que são os Cecrópidas, attribuiam dever-lhe a Grecia o uso do trigo, a cultura da oliveira, o conhecimento dos deoses, as noções da justiça, etc.

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(7) De Triptolemo silvam as serpentes, etc. Conta-se na mythologia que apenas Ceres tivera conhecimento do rapto de sua filha, se encaminhara a Eleusis, cidade da Attica, onde reinava Celeo, pae de Triptolemo, a quem a deosa, querendo remunerar o bom agazalho que havia recebido, fez presente de um carro tirado por serpentes aladas, com destino de o levarem pelo mundo, ensinando aos homens o uso do trigo, e a maneira de o semear. Ficou por tanto á deosa o appellido de Eleusina, e Eleusinas se chamavam as festas que se faziam em honra della.

A triforme Deidade surge ao longe, etc.— Hecate, a

Lua, e Proserpina, eram tres nomes que tinha a mesma Deidade, assim como era representada com tres cabeças diversas.

(9) laccho alegre, etc.-É o mesmo que Baccho, filho de Jupiter e Semele, que depois de conquistar as Indias, recebeo um culto particular em Thebas e na Meonia, região da Asia

menor.

(10) As brilhantes Triones, etc.-Triões, na linguagem vulgar, eram bois destinados ao serviço da charrua, como diz Varrão. Neste lugar entendem-se pelas sette estrellas que acompanham a Ursa maior, ou por outro nome o Carro.

(11) O Rhodope, montanha da Thracia, cujo nome lhe proveio da nympha Rhodope, filha do rio Strymon, da qual Neptuno teve o gigante Athos.

(12) Amycléa, Claros, Delos.--- Amycléa era uma cidade da Laconia onde reinava Tindaro, e onde foram creados os gemeos Castor e Pollux. Dahi lhes proveio o nome de Fratres Amyclæi que lhes dão muitas vezes os poetas.

Claros, cidade na Ionia, junto de Colophon, partilhava com Delos, Delphos, Ténedos, Pátara e Amycléa os favores de Apollo, e a gloria de produzir oraculos, que por muito tempo foram assás venerados.

Delos.

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Eis-aqui a origem que lhe attribue Hygino na fabula LIII.: «< Asteria era filha de Titan. Namorou-se Jupiter da sua belleza; mas irritado por seus constantes desdens, metamorphoseou-a em codorniz, e lançou-a no mar, onde se converteq n’uma ilha que se chamou Ortygia. Por largas eras vagabunda e fluctuante, só poude firmar-se na terra quando nasceram Apollo e Diana; assim foi retribuida da compaixão que teve de Latona, contra quem Juno havia suscitado Marte, em

bravecido a serpente Pithon, e sublevado a terra toda. Desde então chamou-se Delos; e em honra sua compoz Callimaco um hymno, justamente considerado como um poema perfeito. »>

(13) A Trinacria, etc. Este nome deve a Sicilia aos seus tres promontorios, Pachyno, Peloro, e Lilybeo. Se n'algum tempo ella foi unida ao continente, e a causa que os separou, são questões que não profundaram os escriptores da antiguidade. Homero na sua fabula de Scylla e Charybdes parece não ter conhecido nem a epocha nem o motivo de tal separação. Pindaro a este respeito guarda o mais profundo silencio nos versos que consagrou á memoria dos heroes sicilianos. Eschylo foi o primeiro que notou haver analogia entre o promontorio de Rhegium e o verbo grego regnustai, separar. Thucydides parece que não foi feliz nas indagações que fizera ácerca das antiguidades desta ilha. Mas o abreviador de Trogo-Pompeo diz que ella n'outras eras fazia parte do continente; e Eustathio accrescenta que a sua desunião foi obra de Neptuno, que por tal modo quiz segurar a Acasto, filho d'Eolo, uma habitação mais tranquilla. Entretanto, não se póde deixar de admirar a descripção que neste lugar apresenta Claudiano, mesmo a par das que fizeram os cantores d'Enéas, das Metamorphoses, e do Etna.

(14) Frondente rama de pinheiros altos, etc.— Pitys era uma joven beldade, igualmente adorada por Boreas, e o deos Pan; mas como este fosse o preferido, o seu competidor, allucinado pelo ciume, arrojou contra um penhasco a desditosa nympha, punindo assim de cruel morte a indifferença com que o trattava. No mesmo lugar nasceo o pinheiro, de cuja rama gostava Pan de coroar-se, e ao qual o sopro de Boreas arranca ainda gemidos. Ovidio porêm nos conta como foi transformado sta arvore o amador de Cybelle, o infeliz Atys.

(15) Os Corybas, etc.-Corybas, filho de Jason e de Cybelle, foi o primeiro que introduzio na Asia o culto de sua mãe, e deo seu nome aos ministros consagrados ao serviço desta deosa, que se ficaram chamando Corybas ou Corybantes.

LIVRO II.

(1) A Bistonia, por outro nome a Thracia, deve este epitheto a Biston, filho de Marte, e era habitada por um povo tão guerreiro como sylvestre.

(2) Argos, cidade do Peloponeso, onde reinaram Inacho, o primeiro que conduzio á Grecia uma colonia d'Egypcios; e Eurystheo, que impoz a Hercules os trabalhos que neste lugar enumera Claudiano.

(3) O Hebro, rio da Thracia, hoje o Mariza.

(4) O Ossa alcantilado, montanha da Thessalia, que foi o theatro da audacia e da derrota dos Gigantes.

(5) O Homus Ao pé desta montanha situada entre a Thessalia e a Thracia, e á qual dera seu nome um filho de Boreas e d'Orithya, colloca Stacio (Theb. liv. 7.° verso 42) o templo do deos das batalhas.

(6) Cirrha, cidade visinha do Parnaso, testemunha da insensibilidade de Daphne, e da sua metamorphose em loureiro.

(7) O cinto da Amazonia desataste, etc.-Allusão a Hyppolita, rainha das Amazonas, que se diziam descendentes de Marte, e habitavam as margens do Thermodoonte, aonde tambem foi Hercules, obrigado pelas ordens de Eurystheo. Apollodoro no livro 2.° refere esta passagem d'Hercules, cuja narração todavia faz alguma differença da historia que Justino deixou das Amazonas no livro 2.o cap. 4.°

(8) O Phóloe, monte da Arcadia, foi o sitio em que os Centauros succumbiram aos golpes d'Hercules e de Theseo; de sorte que o dia das nupcias de Dejanira e Hyppodamia foi para elles um dia de lagrimas e morte. Nestor, em Ovidio (Metamorphoses liv. 12.), conta as particularidades deste combate.

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(9) Da Libya as praias, etc. Neste paiz era a morada e o jardim das filhas d'Hespero, Egle, Arethusa, e Hesperthusa, cuja guarda estava confiada a um dragão, fructo dos amores de Typhon e Echidna. Hercules o venceo, e teve as primicias do jardim, colhendo os pommos das Hesperides.

(10) Tu, novo Alcides, etc. O poeta nomea positivamente Florentino, que era Prefeito de Roma no anno de 396. A darmos credito ás conjecturas dos commentadores, este poema foi composto em epochas differentes. Tendo já concluido o primeiro canto no tempo da sua prosperidade, e sub os auspicios de Stilicon, Claudiano, alvo tambem das perseguições que soffreram os partidarios deste ministro, vio-se obrigado a interromper o fio do seu trabalho. Como Orpheo, guardou silencio em quanto duraram as desordens que se seguiram á morte do seu bemfeitor; mas, a exemplo do cantor da Thracia, reassumio as suas occupações quando tornou a achar em Florentino um admirador e um amigo. Este novo Mecenas, affeiçoado aos lavores do campo, á maneira dos Catões, Varrões e Columellas,

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